Quando a gente gosta, a gente cuida. Cuida mais do que devia. Gostar é se prevenir do desgosto. A gente nunca sabe o que é suficiente, a gente vai se doando, se gastando, sem pedir troco. A gente gasta mais do que tem e corre atrás para imaginar o que não viveu para não fazer falta à memória mais adiante.
E eu construí uma ponte, que ligasse o meu mundo ao seu, só para ter sua companhia à noite, só para não ter que dormir com o telefone ligado - que era nossa marca registrada. De algum jeito, eu sabia que precisávamos de mais. Mais amor, mais entrega, mais confiança, mais proximidade. Eu ficava daqui, gritando meu amor e esperando que ouvisse, como se o vento pudesse levar meu perfume até você. Ainda lembro, de ficar na varanda vendo as luzes dos carros iluminarem a rua enquanto meu pensamento ia longe, onde quer que você estivesse. E era incrível como eu não me sentia só. Às vezes paro para encarar um avião voando alto e paro no tempo, quase posso me imaginar na classe econômica olhando tudo aqui em baixo. Tremendo para pousar por aí, largar as malas e correr para os seus braços. E, se ainda se pergunta, o meu destino… É você.
Não desiste desse meu jeito todo bagunçado, do meu cabelo mal penteado, não desiste das minhas babaquices, dos meus dramas e do quarto mal-arrumado. Não desiste pelas vezes que agi feito idiota, das palavras que eu não disse, e dos sentimentos que eu não demonstrei. Não desiste do meu humor variável e dos meus defeitos exagerados. Não desiste de mim, não desiste da gente.